Noites Cafajestes à venda

Noites Cafajestes está de novo à venda, agora no site da Amazon Brasil: clique no link abaixo, e digite o nome do livro na pesquisa loja kindle, no alto da página.
Um verdadeiro guia de comportamento e sabedoria canalhas e cafajestes por R$6,00.

domingo, 28 de novembro de 2010

E agora... porcos chauvinistas! Episódio de hoje: a classificação de uma vaca depende do olhar e principalmente dos interesses da vaca que a descreve

Um título quase quilométrico, para marcar o retorno de uma série do blog que estava no limbo.

Há alguns dias, em uma quarta à noite, eu voltava para casa, após contribuir com minha cota diária de tempo, vida e energia para o enriquecimento dos dignos capitalistas e para a manutenção da ordem social. Duas moças entraram no ônibus rindo e falando, muito e alto. Elas eram, sendo ofensivo e politicamente incorreto como sempre sou, duas barangas desprovidas de classe ou educação oriundas da terrinha, ou seja, duas "baianinhas" vulgares - xingamentos e ameaças para o e-mail, por favor - e era impossível ignorar a conversa que travavam; aliás, estou certo que quanto mais os outros passageiros lhes dessem atenção, mais felizes ficariam...
Bem, uma delas  disparou a jóia: "minha filha, o amor é como a grama: você cuida, rega, dá atenção e carinho, e quando está bonito, forte e colorido, vem uma vaca e come". Anotei na cabeça a porção de sabedoria, decidido a postá-la aqui, claro que acompanhada de um comentário que esmigalharia a visão limitada que a impregna. O tempo passou, negligenciei minhas obrigações escribísticas mas eis que minha vida noturna forneceu o mote para inserir a frase em algo maior e mais profundo, e claro, dela desfazer e negar.
Ocorre, cara meia dúzia de leitores, que já algum tempo, quando dedico um fim de semana à caça, quando não tenho  compromissos agendados com alguma dama, adotei um esquema um tanto fixo: sextas em certo ambiente especializado em rock, sábados em certo antro de heavy metal  (ambos já comentados aqui, sem citar nomes, claro). Situam-se ambos no Centro da cidade e são próximos entre si - algum palpite? - E percebi que estabeleceu-se um padrão: quando me dou mal no primeiro, é certo, uma lei da física, que me darei bem no segundo. 
Finalmente, o centro da postagem, a reflexão que destroça a frase de nossa amiguinha barangosa que adentrou o ônibus e essa história bem diante do Pateo do Colégio: o primeiro local é  limpo, de "nível", frequentado por moças que abominam e desprezam o segundo, garotas de classe média e média baixa em busca do príncipe encantado que resolverá suas vidinhas, moças decentes que se horrorizariam com a sujeira e falta de classe e principalmente as "vagabundas" e "vacas" do metal que enchem, o segundo: fáceis, sem nível, e que dão para os roqueiros desprezíveis que surgem em hordas atrás delas, sem o mínimo decoro ou decência (leia-se, bancar a difícil, levar o cara a humilhar-se e fazer  o valor de sua sagrada bucetinha parecer muito maior do que realmente é);  o segundo já está delineado: um lugar baixo, sujo e vil, repleto de vacas. Ocorre que eu e meu amigo e parceiro mor nessas noitadas estamos seguidamente nos dando mal no primeiro e sendo muito felizes no segundo. E as alegações das ruminantes, digo, das moças que lá circulam, para recusarem um beijo, companhia e até um mísero endereço eletrônico, após nos provocar, fuzilar com olhares, sorrir e eventualmente até mesmo conversar por quase uma hora são as mesmas: "não fico na balada", " tenho namorado", " você é muito atirado" etc. Já na masmorra suja, é raríssimo isso ocorrer: se a garota não quer nada, expressa isso com prontidão.
Após essas pancadas, reerguimentos e noites infelizes e outras felizes, chega-se invariavelmente a uma conclusão: uma mulher é chamada pela outra de vaca somente se um interesse, recalque, hipocrisia ou algo ainda pior da primeira é ameaçado pela gula da ruminante, ou: a classificação de uma ruminante depende dos interesses e preconceitos da classificadora, nunca de precisão ou objetividade científica.

Saudações canalhas 
 

sábado, 6 de novembro de 2010

Os segredos para ser um cafajeste-canalha bem sucedido - Item I: Ousadia

Nova série dentro dos textos do blog (sim, sei, já iniciei umas várias séries e as abandono. Reflexo dessa vida doida e caótica que todos nós enfrentamos). Vamos lá:

Foi há duas semanas. Tive folga no meu emprego na sexta (coisa tão rara quanto um papagaio albino do Himalaia).Assim, não poderia perder a oportunidade de desfrutar da noite de quinta de São Paulo. No começo do melhor período do dia liguei para um amigo canalha de longa data, dos tempos de faculdade (e pensar que já terminei esta há mais de dez anos, mas ainda sinto como se estivesse vivendo aqueles tempos. Jovialidade? Energia? Falta de maturidade?) e marcamos de dardejar pela Augusta, em busca de um bar, randevu, boteco, boate,qualquer coisa que exibisse o máximo possível de fêmeas por centímetro quadrado. 
Ele logo definiu o antro, um lugar que é o ponto máximo de modernidade  na lendária rua.  Estacionou o carro e fomos até a porta averiguar. O preço era decente, o gênero musical daquela noite, uma das forças cósmicas que movem dois desprezíveis roqueiros beberrões e caçadores de ninfetas como nós noites afora. E a quantidade de exemplares do belo sexo (esse termo eu surrupiei de um livro-biografia-portfólio do grande HR. Giger, admito) que adentrava o lugar nos fez perder qualquer dúvida ou juízo em segundos!
Entramos, nos abastecemos de cerveja (caríssima, diga-se de passagem) e enquanto curtíamos a ótima seleção musical e o ambiente moderno e interessante, enlouquecíamos com o desfile de beldades que não cessava de entrar e embelezar o local. Uma logo chamou nossa atenção, mais que as outras (e a concorrência era brabíssima): uma coisinha, uma criaturinha linda, fresca como uma flor, de pele alva, cheia de curvas e espremida em um pretinho terrivelmente justo. Parecia  estar acompanhada (impressão errada, como descobrirão) e desfilava de lá para cá. Por duas vezes, meu amigo disse: "ela olhou para você ao passar". Eu duvidei com veemência e sinceridade: uma linda menininha como aquela olhar para mim? Algum dia posto um texto que explique minha tese de que o verdadeiro canalha-cafajeste é modesto, nunca deve se achar o máximo e sempre procura  eleger um amigo canalha como seu modelo, como o verdadeiro conquistador ao qual ele quer se equiparar. Achar-se o fodão é o começo do fim para o verdadeiro canalha. Ele sempre deve se julgar e proclamar ser apenas um sortudo, persistente e injustiçado, até que acredite nisso. Esse texto fica para outra ocasião, voltemos ao assunto desta postagem.
Passou-se algum tempo, o dj pôs uma música insinuante para tocar e o que ocorreu? A linda menininha de preto subiu num palquinho e começou a executar uma dança para lá de sensual ao redor de uma barra de pole dancing, com lingerie à mostra e tudo o mais. Era a go-go dancer da casa! Claro que todos os machos presentes pararam para babar, dezenas de olhares selvagens e imbecis para ela, que ria e ria de nós.
O show terminou, ela desceu do palco e recostou-se no balcão. Foi nesse  momento que percebi: seu suposto acompanhante era um amigo e só. Não demorou e um cara alucinado abordou-a, e outro, e outro. Ela parecia ouvi-los, dar atenção, mas nada brotava dessas conversas. Então ela passou por nós e dessa vez não tive dúvidas. Virei-me para meu amigo e disse: " Incrível, mas você está certo, ela está olhando para mim!" Bem, só havia uma ação a executar, mas  ponderei por um momento: essa garota é desejada por dezenas dos presentes, já recusou alguns, é uma estrela da casa noturna, por que quereria algo comigo? Serei só mais um panaca enchendo seu ouvido.  Mas ou ouso, ou me lamento enquanto tomasse o rumo de casa. Fiz minha escolha e lá fui.
Bem caros leitores, pode-se cair no chauvinismo e no machismo barato e afirmar-se que a tal era uma menina fácil da vida fácil, que podem ter passado uns tantos como eu na vida dela nos últimos tempos ou somente nessa noite e que nada signifiquei, que tudo foi superficial. Mas o fato que esse texto registra e celebra é que posso afirmar que fui a uma casa noturna famosa e por algum curto e memorável tempo desfrutei da companhia e beijo de uma linda go-go dancer que brilha no local. 
Saudações